Reunião do Grupas ensina como reduzir despesas sem demitir empregados

Encontro realizado na ABRAVA também discutiu perspectivas profissionais e retrofit

Por Larissa Gregorutti

Na última quarta-feira (22/3), a sede da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), em São Paulo, foi palco da reunião mensal do Grupo de Profissionais de Facilities (Grupas), que reuniu especialistas para falar sobre o mercado de trabalho de FM, real estate e o futuro das organizações.

Vanessa Cristina Ziggiatti Padula, da PK - Pinhão e Koiffman Advogados, apresentou as possibilidades de redução de despesas sem demitir empregados. Segundo a executiva, é preciso cautela em qualquer decisão envolvendo alteração do contrato de trabalho, tendo em vista que a CLT, que é de 1943, não atende aquilo que a empresa necessita nem a realidade entre empregado e empregador. Todavia, que existem algumas medidas que visam reduzir custos nas empresas, quais sejam:

Home office: prática muito utilizada, beneficia tanto o empregado quanto o empregador. A empresa tem a possibilidade de redução de custos com estrutura física, economia de água, energia, manutenção de móveis, adoção do vale alimentação, que é mais barato do que o vale refeição, e diminuição do custo do vale transporte. Outros benefícios são a redução de custos com acidente de trajeto e doenças psicossomáticas, além de melhorias da produtividade do funcionário.

Banco de horas: Medida que possibilita que a empresa forneça ao profissional a folga para compensação da hora extraordinária, reduzindo despesas com horas extras. Essa prática permite que o empregado utilize esse tempo para realizar compromissos pessoais ou viajar com a família, e traz para a empresa benefícios econômicos, garantindo a produtividade sem aumento dos custos com horas extras, adicional e reflexos. Essa prática, todavia, só pode ser implementada mediante acordo coletivo com sindicato da categoria.

Redução de jornada e salário: Em regra, o salário é irredutível pelo seu caráter alimentar, ainda que tenha anuência do empregado. Mas existem algumas modalidades legais que permitem que isso aconteça. A lei 4923/65 apresenta medidas contra o desemprego e de assistência aos desempregados, possibilitando a redução da jornada ou de dias de trabalho. Essa modalidade exige um acordo com o sindicato, homologado pela superintendência regional do trabalho. Ou seja, é possível a redução proporcional da jornada e remuneração, se comprovada dificuldade financeira da empresa.

Outra lei é a 13189/15 (programa de proteção ao emprego), que permite acordo coletivo de trabalho específico de redução de jornada e de salário máxima de 30%. Esta lei foi pensada especificamente para as montadoras que enfrentaram dificuldades com a crise econômica de 2015. Uma observação importante é que essa modalidade não permite que sejam feitas horas extras, sob pena de invalidade dessa prática.

Gestão do contencioso trabalhista: Para quem tem grandes carteiras de processos trabalhistas, uma boa solução é campanha para acordo, em que uma lista de processos pré-avaliados, passíveis de êxito ou não, são selecionados e apresentados ao judiciário solicitando uma pauta especial para fazer acordo. Com essa prática, os processos em fase inicial têm a possibilidade de conseguir uma economia de até 50%; na fase recursal, os ganhos são de 70% a 80%, enquanto na fase de execução (última fase processual), a economia é menor, de 10%.

"A campanha de acordo é sempre uma boa ideia para as empresas, pois permite a quitação integral da execução, inclusive quanto aos encargos previdenciários e redução dos custos administrativos de gestão do contencioso para acompanhamento dos processos", finaliza Vanessa.

Já Genivaldo Rosa, da Daikin-McQuay Ar Condicionado Brasil, levantou a questão das oportunidades e desafios quando falamos de uma cidade como São Paulo, detentora de um parque de edifícios antigos e ineficientes, com alto custo de operação, que precisa ser repensado.

"Com o movimento Fight to Quality, devido a fatores econômicos advindos da crise, empresas, profissionais autônomos ou famílias substituem seus antigos imóveis, próprios ou alugados, comerciais ou residenciais, por novos, melhores e mais modernos. Nesse processo, há o risco muito grande de vacância dos edifícios classe B, com infraestrutura antiga, baixa performance e boa localização".

Neste sentido, Genivaldo acredita que o profissional de FM deve propor ao proprietário/investidor a revitalização do edifício antigo através do retrofit, cujo ponto mais importante, segundo ele, é a reforma do sistema de ar condicionado, tendo em vista que aparelho antigo chega a representar 60% do consumo de energia elétrica do edifício.

Autogestão da carreira

Profissionais da Consultoria Kazzè Recursos Humanos, Edson Kubota e Luiz Carnielli demonstraram como é possível se reinventar e criar um valor profissional e para a organização. Como o profissional deve se preparar para esse novo cenário cada vez mais carente de empregos e com mais incertezas, e estar pronto para enfrentar esse contexto de redução, de transformação e estruturas mais enxutas.

Em um contexto organizacional, explicaram que antes o foco era no processo. Hoje, é nas pessoas. Antes, o gerente era autoritário, hoje ele é um líder inspirador. Antes, se pensava no capital como mão de obra, hoje o capital é intelectual. Antes imperava o autoritarismo, hoje é o empoderamento. Antes, a ascensão era mais lenta, hoje ela é mais rápida. Antes, se valorizava a força e o músculo, hoje o cérebro. O que antes era tangível, hoje é intangível. Antes, se falava em hierarquia e massa, hoje tudo está na rede e é compartilhado.

"Além disso, as pessoas também mudaram, antes o foco era ter alguma coisa, hoje a nova geração se preocupa em ser alguém. Anteriormente se falava em plano de carreira, que é diferente de uma autogestão de carreira. Então é preciso repensar este mindset que existe como referência e desenvolver o autoconhecimento para se reposicionar no mercado", defendeu Edson.

Outra dica é medir alguns elementos, como o que eu gosto de fazer e o que eu faço bem. "Quando essas duas coisas se fundem, aí está a sua paixão. O que eu faço bem e o que me pagariam para fazer essa atividade, eu tenho a profissão. O que pagariam para eu fazer e o que é útil para o mundo, eu tenho a.minha vocação. E o que é útil para o mundo e eu gosto de fazer, eu tenho a minha missão de vida. O seu propósito é a junção de todos estes itens. O fundamental nesse processo é fazer o planejamento de suas ações e traçar um norte para a sua carreira", concluiu Luiz.

Foto: Michelle Sugisawa

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