Mentira no ambiente corporativo pode até dar prisão

Colaborador pode ser punido por mentir em processos trabalhistas

Pesquisas científicas já mostraram que a mentira está presente na rotina da maioria das pessoas, em diferentes graus e situações. Não é diferente no ambiente corporativo. "Quem nunca se viu em uma situação em que o líder orientou a suavizar alguns termos, ocultar problemas ou até mesmo mentir em nome da manutenção de um contrato, da conquista de um cliente ou para se evitar um desgaste com um cliente qualquer? Diferentemente das relações pessoais, a mentira no ambiente de trabalho pode resultar em processos nas esferas civil, trabalhista e até criminal, com implicações jurídicas sérias para as empresas", comenta o entrevistador forense e advogado André Costa, especialista em Compliance e autor do livro Entrevista Forense Corporativa, que há mais de 10 anos orienta as companhias no desenvolvimento de programas de compliance, treinamentos e apurações de condutas ilegais no ambiente corporativo.

Quando um líder orienta seu colaborador a mentir, a recomendação é para que o trabalhador se recuse e reúna provas, como conversas gravadas ou e-mail, para fazer uma denúncia interna. "Ele pode, também, recorrer ao Judiciário pleiteando uma rescisão indireta, que é quando o colaborador pede a rescisão do contrato de trabalho e recebe as verbas indenizatórias como se tivesse sido demitido, sei que é delicado porque as pessoas precisam do emprego, mas se ele aceitar as pressões para agir assim elas irão piorar muito e rapidamente, até que o funcionário comprometa sua imagem no mercado, além das demais implicações. Tem empresas que até desejam isso, porque uma vez com sua imagem comprometida aquele funcionário se verá obrigado a permanecer ali, mentindo para favorecer a empresa e sofrendo outros tipos de abusos internos", completa.

Esfera criminal

Outro cenário comum é empresas pedirem para funcionários, que vão depor como testemunhas em processos trabalhistas, mentirem. "Mentir em audiência é crime de falso testemunho, artigo 342, e a pena é de 2 a 4 anos de prisão para o colaborador, mas o líder também comete crime, só que de constrangimento ilegal, que pune condutas para quem constrange alguém a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. A pena é de três meses a um ano de detenção", explica.

Efeito dominó

Segundo Costa, orientações neste sentido comprometem a cultura organizacional, estimulam condutas desonestas e favorecem casos de corrupção, por exemplo. "Devemos ter em mente que toda conduta indevida estimulada ou tolerada, no ambiente corporativo, transmite para os funcionários a mensagem de que 'a desonestidade é válida, isso abre margem para oferecimentos e recebimentos e suborno, manipulações de números e resultados, casos de assédio e todo tipo de não conformidade corporativa", explica o advogado.

Danos morais

O advogado conta que, infelizmente, esses tipos de situações não são raras. "Uma breve consulta em nossa jurisprudência prova isso. É fácil encontrar casos de funcionários com a moral abalada pelo fato de terem sido obrigados a mentir por um líder direto ou alto executivo, com indenizações aprovadas pelo Judiciário", finaliza.


André Costa, especialista em Compliance e autor do livro Entrevista Forense Corporativa.

Foto: Divulgação.


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Mercado

Woba lança agentes de IA para gestão imobiliária corporativa e aposta em nova fase do workplace

Plataforma apresentada durante a Expo InfraFM promete apoiar decisões ligadas a custos, operação e experiência dos colaboradores por meio de inteligência artificial aplicada ao real estate corporativo

Mercado

Congresso InfraFM 2026 começa com imersões em operações de referência

Primeiro dia do Congresso InfraFM foi marcado por visitas técnicas em empresas e operações de diferentes segmentos, proporcionando aos participantes uma visão prática sobre gestão de infraestrutura, manutenção, tecnologia, segurança, sustentabilidade e eficiência operacional

AstraZeneca traduz crescimento, bem-estar e brasilidade em novo escritório em São Paulo

Com 2.300 m² na Torre Jatobá, o novo escritório da AstraZeneca em São Paulo foi projetado para apoiar o modelo híbrido, priorizando colaboração, sustentabilidade, acessibilidade e bem-estar dos colaboradores, com elementos de brasilidade e gestão por

Operações

Perder o prazo do LEED pode adiar certificações estratégicas até 2027

Cronograma do GBCI mostra que projetos que buscam certificação antes da Greenbuild ou até o fim do ano precisam antecipar documentação, pagamento e análise técnica

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea