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Instituto Moreira Salles inaugura novo espaço de cultura em São Paulo e intensifica processo de transformação da icônica Avenida Paulista

Por Larissa Gregorutti

No coração de São Paulo, nasce um espaço para reforçar ainda mais o posicionamento do lugar em que está inserido: o principal polo de cultura da cidade. Com sua sede inaugurada no dia 20 de setembro, o Instituto Moreira Salles (IMS) intensifica o processo de transformação da Avenida Paulista, antes reconhecida como principal centro financeiro da cidade, hoje posicionada como o principal corredor cultural da capital paulista, que celebra com a chegada de mais este museu, um novo marco na sua trajetória.

E como parte da estratégia do instituto em consolidar presença em São Paulo, o centro cultural abrigará diversas atividades e apresentará ao público uma ampla programação de exposições, filmes, palestras, debates, cursos, shows, entre outros eventos.

“Nós temos uma tradição de ser uma instituição múltipla, com várias áreas de atuação, mas com alguns pontos fortes, ligados aos nossos acervos, que obviamente vão alimentar nossa programação”, comentou Lorenzo Mammì, Diretor e Curador responsável pela programação do IMS Paulista, durante participação em evento promovido pelo Arq.Futuro, sobre os novos rumos da Avenida Paulista.

O IMS possui um rico acervo de fotografia (dois milhões de imagens), música (cerca de vinte mil discos de 78 rotações e seis mil de 33 rotações), iconografia (dez mil desenhos e gravuras, e arquivos pessoais de artistas gráficos), e literatura (com cerca de 150 mil itens de biblioteca e arquivo pessoais de autores), apropriadamente abrigados em reservas técnicas no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, as primeiras mostras a ocuparem os mais de 1.200 m2 dedicados unicamente a exposições, e divididos em quatro andares, apresentarão obras de artistas com linguagens visuais diversas, em um conjunto que reforça a pluralidade da imagem na arte contemporânea.

Infraestrutura do museu

Prédio orçado em 80 milhões, com área construída de 8.662 m², foi concebido, segundo Mammì, por meio de um concurso promovido pelo instituto no final de 2011, convocando jovens arquitetos brasileiros para discutir a arquitetura em volta de um centro cultural tão importante, que é a Avenida Paulista.

A escolha do projeto desenvolvido pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos resultou na construção de um edifício com características inovadoras, que determina uma relação única do espaço interno com o contexto urbano onde está inserido e quantifica, com a ajuda da programação do museu, quais as áreas necessárias e o agrupamento dos espaços.

Esses são alguns dos critérios estabelecidos no memorial elaborado pelos arquitetos, que afirma que o projeto foi imaginado para “criar um museu acessível, ancorado no presente, que tenha uma relação franca e direta com a cidade e que, ao mesmo tempo, ofereça um ambiente interno tranquilo e acolhedor; um museu capaz de equilibrar a vibração das calçadas com a natureza e com os espaços museológicos, que exigem uma qualidade de luz e uma percepção do tempo muito particulares. Enfim, um museu de caráter marcante, que proporcione uma experiência única e pessoal para quem o visita”. 

Segundo Vinicius Andrade, Sócio do Andrade e Morettin Arquitetos, uma vez que o escritório foi escolhido, teve início o diálogo com todos os consultores especializados de infraestrutura, iluminação, acústica etc., e com alguns fornecedores para entender a viabilidade do projeto e quais os desafios a serem superados, como o de organizar o programa de um museu em um edifício vertical.

“A natureza de um museu, em um primeiro momento não é essa, é mais tranquilo e natural você organizá-lo a partir de um percurso horizontal. Mas pelas funções do lote, era claro que o escritório teria que desenvolver um projeto em diferentes níveis”, pontuou Marcelo Morettin, Sócio do escritório de arquitetura, também durante participação no evento promovido pelo Arq.Futuro.

Além disso, segundo Morettin, era preciso conciliar dois aspectos contraditórios: trazer a energia da Avenida Paulista, um lugar tão interessante e vivo, para dentro de um museu, um lugar mais introspectivo, com o intuito de poder imergir nas programações com serenidade, com uma luz especial, entre outras características especiais.

Esse foi um dos assuntos discutidos pelo escritório, que resultou na elaboração de uma fachada de vidro translúcido autoportante, conferindo uma qualidade de luz agradável e acolhedora ao interior do edifício, que ao mesmo tempo, carrega com ela o rastro da cidade, trazendo a memória do mundo que está a sua volta.

Com relação a disposição das áreas internas, elas foram agrupadas estrategicamente, conforme cada função exercida, e um ponto de encontro foi criado no meio do edifício, para dividir os espaços.

A Praça IMS, para onde foi transferido o hall de entrada, fica a 17,5 metros de altura do solo, abaixo das salas de exposição, e acima da midiateca (onde foram agrupados os espaços para teatro, cinema e biblioteca), fazendo com que o ambiente de entrada e convívio ganhasse um novo significado, criando assim uma nova relação do prédio com a avenida.

“Pensando em acessibilidade, o edifício dispõe de uma grande quantidade de elevadores e escadas rolante. Da Avenida Paulista, é possível acessar a entrada do museu por meio de um elevador ou de uma escada rolante, que leva diretamente para o 5º pavimento. A partir daí, é possível ter acesso aos outros quatro elevadores, que ficam distribuídos no espaço privativo do instituto”, informou Andrade.

Em suas instalações, o IMS Paulista abriga os seguintes espaços:

• Biblioteca de Fotografia, que ficará no 1º andar do edifício. Com a finalidade de incentivar a pesquisa no campo fotográfico e colaborar para a compreensão da fotografia nos seus mais diversos modos de expressão, o espaço tem capacidade para abrigar até 30 mil itens, como livros, catálogos e revistas de importância histórica até fotolivros e zines recém-saídos das gráficas, e outros materiais, como folhetos de exposições e recursos multimídia. Há ainda um local destinado a pequenas exposições de livros.

• Localizado no último pavimento do IMS Paulista, o Estúdio é um espaço que convida o visitante a explorar as coleções do IMS e as mais diversas práticas fotográficas. Dividido em duas partes, mostra, de um lado, mesas interativas e uma projeção visual imersiva que permitem acesso ao acervo fotográfico do IMS; do outro, ateliês e laboratório para cursos, workshops e oficinas.

• A sala de cinema do centro cultural tem equipamento state of the art, com projeção em DCP 2D e 3D, 16 mm e 35 mm, som Dolby Digital 5.1 e 7.1. O objetivo é apresentar filmes brasileiros e estrangeiros em mostras especiais, temáticas ou dedicadas a realizadores das mais diversas correntes cinematográficas, contemporâneos ou não, princípio igualmente válido para lançamentos comerciais de filmes recentes e relançamentos de clássicos.

• A área de educação do IMS Paulista oferecerá uma programação especial e continuada para os visitantes. As atividades contemplarão as exposições temporárias e aquelas dedicadas ao acervo do IMS. Fazem parte as visitas mediadas, os ateliês de férias, encontros com professores, formação interna, atividades para famílias e ações de acessibilidade.

• Fruto da parceria entre o IMS e a Livraria da Travessa, a loja/livraria localizada na Praça IMS tem foco principal nas publicações sobre fotografia, nacionais e importadas.

• O museu também vai abrigar o café-restaurante Balaio, espaço pan-regional com influências brasileiras, é fruto da parceria com Rodrigo Oliveira, chef dos restaurantes Mocotó e Esquina Mocotó. O restaurante fica no térreo da Avenida Paulista e trabalha no almoço e no jantar, sem paradas. Já no quinto andar, funciona também o Balaio Café, com pães de fermentação natural, tapiocas, cuscuz, bolos e cafés.

Sustentabilidade

O IMS Paulista é sustentável em seu conceito, em sua construção e também em seu funcionamento, que beneficia a economia de energia, de água e o conforto térmico e acústico. Além disso, está localizado em um dos quarteirões mais bem servidos de transporte público no Brasil, com 24 linhas de ônibus, apenas na Avenida Paulista, duas linhas de metrô (Verde e Amarela) e ciclovia na porta.

Algumas áreas do centro cultural, como a Praça, a biblioteca, o café e o restaurante, aproveitam a iluminação natural sempre e pelo maior tempo possível. Todas as lâmpadas do prédio são de LED. Elevadores e escadas rolantes têm um sistema que reutiliza sua própria energia, com economia de até 75%.

O centro cultural é todo climatizado conforme um projeto especialmente desenvolvido para seus espaços. O fato de as áreas expositivas serem isoladas permite que a climatização tenha gradações, com zonas de transição que podem usar ventilação natural, como a Praça, por exemplo.

O prédio tem sistema de aquecimento solar para 100% da água usada em cozinha e banheiros. E também água de reúso nas descargas dos banheiros, com captação de água da chuva em dois reservatórios.

Para o combate a incêndios nas áreas expositivas, foi escolhido o argonite, um gás inerte que extingue o fogo pela remoção física do oxigênio do ambiente. Isso afasta o risco de usar água em locais que abrigam obras de arte. O argonite não é tóxico e não afeta o meio ambiente.

Sobre o desempenho obtido durante a realização do projeto, Andrade destaca que não seria possível alcançar o mesmo resultado sem a condição de trabalho oferecida pelo IMS. “Nós tivemos por parte do IMS, uma liberdade muito grande de decisão e de atuação. Recebemos todo o suporte necessário, o apoio de consultores nacionais e internacionais, tudo o que era necessário para ter uma condição de ótimo nível de trabalho. Por isso, acreditamos que o resultado do edifício entregue não é uma conquista só nossa, e sim de uma equipe gigantesca de especialistas e consultores, que nos ajudaram a concretizar a entrega de um projeto único”.

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Valdireni Crippa

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