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Município argentino de San Isidro integra 2,6 mil câmeras em plataforma aberta de videomonitoramento

Projeto foi associado a uma redução de 14% nos índices de criminalidade em dois anos.

Município argentino de San Isidro integra 2,6 mil câmeras em plataforma aberta de videomonitoramento

Foto: Divulgação


​O município de San Isidro, localizado ao norte de Buenos Aires, substituiu uma estrutura de segurança fragmentada e baseada em tecnologias analógicas por uma plataforma centralizada de videomonitoramento.

Com mais de 290 mil habitantes, a cidade conectou mais de 2.600 câmeras, sistemas de análise de vídeo, reconhecimento de placas veiculares e recursos de monitoramento em tempo real.

A operação utiliza o software de gerenciamento de vídeo XProtect, da Milestone Systems, integrado a equipamentos da Hanwha Vision. A arquitetura e a implantação ficaram sob responsabilidade da integradora Exanet.


Integração melhora a resposta operacional

Mais do que ampliar a quantidade de câmeras, o projeto buscou reunir diferentes tecnologias em um único ambiente operacional. A centralização permite que os operadores acompanhem imagens, recebam alertas e consultem informações sem precisar alternar entre sistemas distintos. Com isso, o município pretende reduzir o tempo de identificação de ocorrências e melhorar a coordenação das equipes.

Segundo Alec Lucena, subsecretário de Inovação de San Isidro, a infraestrutura anterior era obsoleta e limitava a eficiência da operação. A modernização exigiu, portanto, uma revisão completa da base tecnológica utilizada pela segurança pública. Para sustentar a transmissão de dados e imagens, foram implantados mais de 300 quilômetros de fibra óptica. A estrutura entrou em operação em menos de dois anos, de acordo com as empresas envolvidas.


Plataforma aberta facilita novas integrações

A adoção de uma plataforma aberta permite integrar equipamentos e aplicações de diferentes fornecedores. Esse modelo reduz a dependência de uma única tecnologia e facilita a incorporação de novos recursos ao longo do tempo. A infraestrutura já passou a receber imagens de drones e poderá apoiar projetos relacionados a mobilidade, tráfego, monitoramento urbano e serviços municipais.

Segundo os responsáveis pela implantação, o objetivo foi criar uma base tecnológica capaz de evoluir, e não apenas instalar mais dispositivos. A expansão, no entanto, exige atenção à segurança cibernética, à capacidade da rede, ao armazenamento das imagens e às regras de acesso aos dados.

Segundo dados atribuídos pelo projeto ao jornal argentino La Nación, San Isidro registrou uma redução de 14% nos índices de criminalidade em dois anos. O resultado, porém, não deve ser associado exclusivamente ao videomonitoramento. Indicadores de segurança também são influenciados por policiamento, investigação, processos operacionais e coordenação entre órgãos públicos. Por isso, a avaliação de projetos desse tipo deve considerar métricas como tempo de resposta, disponibilidade do sistema, quantidade de incidentes identificados, falsos alertas e apoio às investigações.


O que isso significa para FM nas cidades

O caso de San Isidro oferece aprendizados para as cidades brasileiras. Câmeras, controle de acesso, alarmes, sensores e sistemas prediais não devem funcionar de forma isolada. A integração facilita a identificação de riscos, o acionamento das equipes e a padronização das respostas. A mesma infraestrutura também pode apoiar controle de ocupação, mobilidade interna, prevenção de acidentes e gestão dos espaços. Esses usos, porém, precisam respeitar critérios de privacidade, segurança da informação e governança de dados.

A experiência de San Isidro mostra que o videomonitoramento deixou de ser apenas um recurso de registro e passou a integrar um ecossistema de dados, conectividade e resposta operacional. Para governos, a principal lição é que a tecnologia deve partir de uma estratégia clara, que inclui quais riscos serão monitorados, como os dados serão utilizados, quem tomará decisões e quais procedimentos serão acionados. Quando infraestrutura, processos e equipes trabalham de forma integrada, o videomonitoramento pode contribuir para segurança, continuidade operacional e eficiência no ambiente construído.

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