BNDES amplia aposta em data centers nacionais com novo projeto de arquitetura modular

Financiamento de R$ 10,18 milhões para a ALGcom busca desenvolver uma solução brasileira capaz de reduzir em até 50% o tempo de implantação de data centers, em um momento de expansão da infraestrutura digital no país

Por Redação

BNDES amplia aposta em data centers nacionais com novo projeto de arquitetura modular

Foto: https://depositphotos.com/br/749521648


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 10,18 milhões para a empresa gaúcha ALGcom desenvolver uma arquitetura nacional de data centers modulares. Segundo o banco, a tecnologia em desenvolvimento poderá reduzir em até 50% o tempo de implantação dessas estruturas, além de incorporar sistemas inteligentes de climatização, distribuição de energia e monitoramento operacional.

A iniciativa não representa um caso isolado. Em março deste ano, o BNDES aprovou outro financiamento, de R$ 232,5 milhões, para a Modular Data Centers desenvolver uma nova geração de data centers multiusuários e ampliar sua capacidade industrial. As duas operações mostram que a infraestrutura digital passou a ocupar espaço entre os projetos apoiados pela política de inovação do banco, em um mercado impulsionado pelo crescimento da computação em nuvem, da inteligência artificial e da demanda por processamento de dados.

Projeto prevê desenvolvimento de tecnologia nacional
Segundo informações divulgadas pelo BNDES e pela CNN Brasil, o investimento aprovado será destinado ao desenvolvimento de uma arquitetura modular voltada a data centers de diferentes portes. O projeto será conduzido pela ALGcom, em Caxias do Sul (RS), ao longo de 36 meses, com participação de universidades e instituições de pesquisa.

A empresa pretende desenvolver uma solução nacional que reúna climatização de precisão, unidades inteligentes de distribuição de energia, monitoramento operacional em tempo real e algoritmos de aprendizado de máquina capazes de acompanhar o comportamento dos equipamentos. A expectativa também é registrar uma patente brasileira e preparar a tecnologia para produção industrial.

Segundo o BNDES, a arquitetura em desenvolvimento poderá reduzir em até 50% o tempo necessário para implantação de um data center. O percentual representa uma estimativa associada ao projeto e deverá ser validado durante as etapas de desenvolvimento e testes previstas até 2028.

Energia e refrigeração estão entre os principais desafios
O projeto da ALGcom concentra parte do desenvolvimento em dois dos componentes mais críticos de um data center: distribuição de energia e climatização. Os servidores utilizados para armazenamento de dados, computação em nuvem e inteligência artificial operam continuamente e geram grande quantidade de calor, tornando o controle térmico um requisito essencial para a disponibilidade da infraestrutura.

A proposta prevê sistemas inteligentes de climatização de precisão, monitoramento em tempo real por meio de Internet of Things e unidades inteligentes de distribuição de energia (Power Distribution Units). Segundo as informações divulgadas pelo BNDES, a meta é alcançar eficiência superior a 99,5% nessas unidades.

O monitoramento integrado deverá permitir o acompanhamento simultâneo de consumo de energia, temperatura, umidade e comportamento operacional dos equipamentos, oferecendo dados para ajustes contínuos durante o funcionamento da instalação.

Expansão da inteligência artificial aumenta demanda por infraestrutura
O avanço dos data centers acompanha uma expansão global da demanda por capacidade computacional. No relatório Energy and AI, publicado em 2025, a Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o consumo mundial de eletricidade dos data centers poderá mais que dobrar até 2030, alcançando aproximadamente 945 terawatts-hora. Segundo a agência, a inteligência artificial será um dos principais fatores responsáveis por esse crescimento.

Modelos avançados de IA exigem maior capacidade de processamento e operam em equipamentos com elevada densidade computacional, aumentando simultaneamente a necessidade de energia elétrica, refrigeração e infraestrutura física especializada.

Brasil também registra aumento nos projetos
O crescimento da demanda também aparece no mercado brasileiro. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que os pedidos de conexão de data centers à rede básica somavam 26,3 gigawatts de demanda prevista até 2038. O número reúne projetos em diferentes estágios de desenvolvimento e evidencia a expansão do interesse por novas instalações no país.

A disponibilidade de energia elétrica tornou-se um dos principais fatores para implantação de novos empreendimentos desse tipo. Além da capacidade computacional, a escolha da localização depende de infraestrutura de transmissão, conectividade por fibra óptica, disponibilidade de terreno, sistemas de segurança e condições adequadas para refrigeração dos equipamentos.

Como construímos este material
Esta matéria foi elaborada com base nas informações divulgadas pelo BNDES e pela CNN Brasil sobre o financiamento da ALGcom, em dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no relatório Energy and AI, da Agência Internacional de Energia (IEA), e em informações públicas sobre o financiamento concedido pelo BNDES à Modular Data Centers. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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