Experts InfraFM — O resíduo já entrou na lógica de gestão do portfólio?

Na Athena Saúde, a padronização da gestão de resíduos reduziu custos em cerca de 10% e ampliou a visibilidade operacional sobre a geração e o descarte
Experts InfraFM

Edição 10 - Março de 2026
Conteúdos exclusivos, de revisão técnica e amplianção conceitual para profissionais de FM cativos do Congresso InfraFM.


​➔ Disclaimer
Este material faz parte do programa de relacionamento Experts InfraFM. Trata-se de revisões breves e bastante práticas que aprofundam questões técnicas e análises gerais sobre temas que permeiam a vida profissional dos FM's brasileiros. São conteúdos revisados de edições passadas do Congresso InfraFM e materiais diversos que selecionamos sempre que fizer sentido para discussão. O acesso a este arquivo é garantido aos congressistas que estiveram conosco na última edição do evento e aos que já adquiriram seus tickets para 2026.

​➔ Proposta de reflexão

Quanto da operação predial ainda trata resíduos como descarte inevitável, e não como variável de custo, risco e eficiência? E o que muda na gestão quando resíduos deixam de ser apenas uma exigência regulatória e passam a ser parte da governança operacional?

A pressão sobre essa agenda deixou de ser restrita a setores intensivos. O aumento do custo de destinação, a exigência de rastreabilidade e a incorporação de indicadores ambientais em relatórios corporativos têm ampliado a relevância do tema em diferentes segmentos.

Nesse contexto, o case apresentado no Congresso InfraFM 2025 por Helena Serafim, diretora de Compras, e Camila Santis, coordenadora de Meio Ambiente, ambas da Athena Saúde, evidencia como a gestão de resíduos pode ser estruturada como componente da operação, com impacto direto em custo, controle e governança.

​➔ O que o case evidenciou na prática

O caso da Athena parte de um cenário operacional fragmentado, caracterizado por baixa padronização entre unidades e limitada confiabilidade dos dados de geração de resíduos. Em ambientes distribuídos, essa combinação dificulta o controle e restringe a capacidade de tomada de decisão.

A resposta adotada não começou por tecnologia. Começou pela construção de base operacional. A partir de 2023, a organização estruturou um processo de padronização dos fluxos de descarte, organização física dos pontos de coleta e definição de critérios únicos para segregação, identificação e pesagem.

Ao reduzir a variabilidade entre unidades, tornou-se possível comparar dados, identificar distorções e compreender a origem dos desvios de custo. A padronização da pesagem alterou o nível de visibilidade da operação. A geração de resíduos deixou de ser estimada e passou a ser medida com consistência, permitindo controle mais preciso.

Com essa base, a operação avançou para a revisão de fluxos, otimização da coleta e introdução de soluções como reciclagem estruturada, compostagem e ajustes logísticos. Os resultados apresentados: mais de 250 toneladas recicladas, mais de 15 toneladas compostadas e redução de aproximadamente 10% nos custos.

O ponto central não está nas soluções adotadas, mas na mudança de lógica. Resíduo passa a ser tratado como dado operacional estruturado.

➔ Resíduos como variável de custo, risco e governança

A gestão de resíduos foi historicamente posicionada como obrigação regulatória. Cumpre-se a norma, contrata-se a coleta e o tema permanece distante das decisões estratégicas. Esse modelo perde eficiência à medida que o contexto muda.

O Global Risks Report 2024, do World Economic Forum, aponta que pressões ambientais e uso de recursos naturais já influenciam diretamente custos e estabilidade operacional. No campo específico de resíduos, o What a Waste 2.0, do World Bank, estima que a geração global deve crescer cerca de 70% até 2050, pressionando infraestrutura, logística e custos de destinação.

Dados da OECD, no relatório Global Plastics Outlook, indicam que grande parte dos resíduos gerados globalmente ainda não é reciclada, mantendo elevado o volume destinado a aterros e aumentando o custo sistêmico de tratamento e disposição.

Na prática, esse cenário se traduz em três efeitos diretos nas operações: o custo de descarte deixa de ser previsível e passa a variar conforme volume e classificação; a exigência regulatória amplia a necessidade de rastreabilidade e controle; e os indicadores ambientais passam a influenciar decisões financeiras, contratos e posicionamento institucional.

Nesse contexto, a gestão de resíduos deixa de ser atividade de suporte e passa a integrar a governança operacional. O case apresentado mostra que essa transição depende menos de pressão externa e mais da capacidade interna de medir, padronizar e controlar.


​➔ Referências normativas e de mercado

A apresentação da Athena teve foco na estruturação operacional e na adequação às exigências regulatórias do setor de saúde, como o PGRSS, sem referência direta a normas ISO como base do projeto. A leitura do caso, no entanto, permite conexão com referenciais que ajudam a estruturar esse tipo de operação.

Nesse contexto, a ISO 14001 — Environmental Management Systems estabelece critérios para identificação, controle e monitoramento de aspectos ambientais, criando base para transformar a gestão de resíduos em processo mensurável e auditável.

Essa lógica avança na ISO 41001 — Facility Management Systems, que posiciona Facilities como integrador entre operação, recursos e estratégia organizacional. A partir do momento em que resíduos passam a impactar custo e risco, o tema deixa de ser apenas ambiental e passa a compor a gestão de ativos.

Na mesma direção, a ISO 46001 — Water Efficiency Management Systems, ainda que não aplicada diretamente no case, reforça a abordagem de gestão de recursos críticos baseada em medição, controle e melhoria contínua.

Essas normas não são ponto de partida obrigatório, mas funcionam como referência para consolidar a estrutura de gestão evidenciada no caso.

 O resíduo já entrou na lógica de gestão do portfólio?

Foto: https://depositphotos.com/678751088


​➔ Playbook Rápido

• Mapear geração de resíduos por unidade e tipo;
• Implantar pesagem estruturada e consistente;
• Padronizar fluxos, identificação e segregação;
• Revisar contratos com base em dados reais;
• Reduzir resíduos de maior custo de destinação;
• Avaliar reciclagem, compostagem e reaproveitamento;
• Integrar Facilities, suprimentos e operação;
• Monitorar indicadores de forma contínua.

➔ Métricas & ROI

• Custo por kg de resíduo;
• Geração por m² ou usuário;
• Percentual de reciclagem;
• Redução de resíduos críticos;
• Custo total de coleta e destinação;
• Economia por reclassificação de resíduos;
• Acurácia dos dados de pesagem;


➔ Perguntas para levar à sua equipe

• Temos dados reais ou estimativas de resíduos?
• Onde estão hoje os maiores volumes e custos?
• Nossos contratos refletem a geração real?
• Quais resíduos mais impactam custo ou risco?
• Existe potencial de redução ou reclassificação imediato?


➔ Citações

World Economic Forum — Global Risks Report, 2024
World Bank — What a Waste 2.0 Report, 2018
OECD — Global Plastics Outlook
ISO 41001:2018 — Facility Management Systems
• ISO 14001:2015 — Environmental Management Systems
ISO 46001:2019 — Water Efficiency Management Systems


➔ Como construímos este material

Conteúdo baseado na palestra “Como o FM está revolucionando a sustentabilidade nos hospitais — Case Athena Saúde”, apresentada no Congresso InfraFM 2025 por Helena Serafim e Camila Santis, ambas da Athena Saúde. O texto foi ampliado editorialmente para discutir a gestão de resíduos como variável operacional aplicável a diferentes setores, conectando o case a temas de custo, risco e governança em Facilities Management.


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