Arquitetura como ferramenta de integração em ambientes de alta complexidade

O projeto do Centro de Robótica da USP São Carlos evidencia como decisões espaciais impactam colaboração, desempenho e operação de edifícios. Conheça os princípios arquitetônicos por trás desses resultados

Por Redação

Foto: Divulgação


A Universidade de São Paulo iniciou, em janeiro de 2026, a construção do edifício-sede do Centro de Robótica da USP São Carlos, no Campus II da instituição. Com cerca de 7.000 m² de área construída e investimento estimado em R$ 64,7 milhões, o projeto tem conclusão prevista para 2027. A arquitetura e o gerenciamento do empreendimento são assinados pelo escritório Entre Arquitetos, com atuação em edifícios de uso coletivo.

Criado há 15 anos, o Centro de Robótica reúne pesquisas em robótica terrestre, aérea, agrícola, médica e inteligência artificial. Até então, essas atividades estavam distribuídas em diferentes prédios do campus, o que dificultava a integração entre equipes e áreas de conhecimento. O novo edifício surge para consolidar essas frentes em um único ambiente físico.

Integração como decisão arquitetônica

A diretriz central do projeto foi criar espaços capazes de estimular a troca entre pesquisadores. Essa intenção se materializa na organização do edifício em torno de um grande átrio central, responsável por conectar visual e funcionalmente todos os pavimentos.

“O pedido inicial era muito claro: criar um espaço que estimulasse a troca. Hoje, os grupos estão fisicamente separados, e isso acaba isolando as pesquisas. A arquitetura entra como ferramenta para aproximar as pessoas”, explica Daniele Capella, sócia da Entre Arquitetos.

Mais do que um elemento de circulação, o átrio funciona como ponto de encontro, convivência e apresentação de conteúdos, abrigando palestras, atividades coletivas e eventos internos. Para gestores de facilities e operações prediais, o projeto evidencia como áreas não programadas podem assumir papel estruturante na dinâmica de uso e na construção de cultura institucional.

Ambientes técnicos sem isolamento

A distribuição dos usos busca equilíbrio entre áreas de alta complexidade técnica e espaços coletivos. O térreo concentra ambientes de maior circulação e experimentação, enquanto os pavimentos superiores abrigam laboratórios, auditório e áreas de estudo.

A separação funcional não elimina a conexão visual. Percursos internos e visores para os laboratórios transformam o deslocamento em uma experiência contínua, onde o trabalho se torna visível e compartilhado. Essa abordagem dialoga com desafios recorrentes em edifícios corporativos, centros de pesquisa e ambientes intensivos em conhecimento.

Flexibilidade como resposta ao futuro

O projeto adota espaços intersticiais e áreas de uso indefinido como estratégia de longo prazo. Em vez de ambientes excessivamente rígidos, a arquitetura cria margens para adaptação a novas tecnologias, mudanças organizacionais e transformações nos modos de uso.

Esse conceito reforça uma visão cada vez mais presente em edifícios contemporâneos: a arquitetura deixa de ser apenas um suporte fixo e passa a funcionar como infraestrutura capaz de absorver o imprevisível, reduzindo a necessidade de intervenções constantes ao longo do tempo.

Sustentabilidade integrada ao desempenho do edifício

As estratégias ambientais são incorporadas ao funcionamento cotidiano da edificação. Orientação solar criteriosa, brises automatizados, ventilação cruzada, iluminação natural, reaproveitamento de águas pluviais e geração de energia fotovoltaica compõem um sistema voltado à eficiência operacional.

Para o universo da gestão predial, o interesse está no impacto direto dessas soluções sobre conforto térmico, consumo energético e custos ao longo do ciclo de vida do edifício. A sustentabilidade aparece como fator de desempenho e continuidade de uso, não apenas como atributo conceitual.

Da arquitetura à operação: visita técnica ao Insper

Conheça como esses princípios se materializam na prática na visita técnica ao Insper, no dia 8 de junho de 2026, que apresenta a integração entre operações, segurança, manutenção, automação e serviços para garantir desempenho, sustentabilidade e conforto monitorados por indicadores reais.

O Congresso InfraFM 2026 é o principal ponto de encontro da América Latina para profissionais de Facilities, Property e Workplace Management, reunindo conteúdo estratégico, vivência prática e networking qualificado em um único ambiente. Ao longo de quatro dias, o evento conecta líderes, gestores e especialistas às operações mais relevantes do país, combinando palestras, painéis e visitas técnicas que traduzem conceitos em aplicação real. Para conhecer a programação completa, os formatos de participação e as experiências exclusivas, clique aqui e saiba mais.


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