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São Paulo redefine o mapa corporativo com vacância mínima e novos padrões de ocupação

Com vacância em queda e preços em alta, São Paulo vive um novo ciclo do mercado corporativo. O movimento revela uma transformação na forma como as empresas ocupam e valorizam seus espaços

Por Redação
São Paulo redefine o mapa corporativo com vacância mínima e novos padrões de ocupação

Foto: Canva.com/Erich Sacco



O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo vive o momento mais aquecido em mais de uma década. A trajetória de queda na vacância e a escalada dos preços revelam um movimento mais profundo, que vai além dos números e reflete uma transformação no conceito de ocupação corporativa.

No terceiro trimestre de 2025, a taxa de vacância chegou a 16,2%, o menor índice em 14 anos, segundo a pesquisa First Look da JLL. Foi a décima redução consecutiva e um sinal claro de consolidação da recuperação pós-pandemia. O preço pedido médio alcançou R$ 115 por metro quadrado, o que representa aumento de 3,8% no trimestre e de 14,9% em 12 meses. O avanço mostra que o descompasso entre oferta e demanda continua a sustentar o valor dos contratos, especialmente nos eixos mais disputados da cidade.


Demanda consistente e oferta cada vez mais restrita

Entre julho e setembro, a absorção bruta somou 175 mil metros quadrados, enquanto a absorção líquida atingiu 50 mil metros quadrados. No acumulado de 2025, o mercado já registra 524 mil metros quadrados de absorção bruta e 247 mil metros quadrados de líquida, o que corresponde a 77% da projeção anual. O ritmo indica que a capital paulista pode alcançar o maior volume de ocupação da série histórica.

As movimentações do trimestre reforçam dois vetores principais. O primeiro é o avanço das grandes locações, como as do Sesc, no Centro, e da Arise Gaming, na Chácara Santo Antônio. O segundo é o esgotamento de lajes amplas em regiões consolidadas, como Nova Faria Lima e Itaim. A combinação de ambos cria um mercado mais competitivo, com pressão sobre preços e prazos de decisão.

Para os investidores, o cenário representa um novo ciclo de valorização sustentado por fundamentos reais e por um perfil de demanda qualificada. Para os gestores corporativos, o desafio é repensar o papel do escritório. Mais do que escolher uma localização, as empresas precisam alinhar cultura, operação e experiência das equipes em um mesmo ambiente físico.


O espaço corporativo como expressão da estratégia

O crescimento da absorção indica que o retorno ao ambiente presencial já não é apenas uma reação à pandemia. O que se observa é uma nova racionalidade no uso do espaço, guiada por objetivos de engajamento e produtividade. O escritório volta a ocupar um lugar estratégico na identidade das empresas, servindo como ponto de encontro e colaboração.

São Paulo se consolida como laboratório de novos modelos de ocupação. Espaços flexíveis, integrados à mobilidade e aos serviços urbanos, ganham força. Ao mesmo tempo, áreas tradicionais voltam a ser valorizadas, impulsionadas por infraestrutura e prestígio corporativo. O gestor de Facilities assume um papel decisivo nesse cenário, atuando como tradutor entre estratégia organizacional e metro quadrado produtivo.


Sinais de confiança e de mudança estrutural

A redução da vacância é também um reflexo da confiança das empresas em suas perspectivas de médio e longo prazo. Depois de anos de adiamentos, projetos de expansão e readequação voltam à pauta. O alerta é para o tempo de planejamento, que precisa acompanhar a nova velocidade do mercado.

A diretora de Locações da JLL, Yara Matsuyama, observa que a ocupação vem se mostrando consistente e que a queda gradual da vacância exige das empresas maior antecipação na busca por espaços. A constatação revela uma mudança silenciosa no Real Estate corporativo. Os períodos de incerteza deram lugar a decisões mais estruturadas, com foco em sustentabilidade, flexibilidade e desempenho operacional.

Um mercado que volta a liderar tendências

Com a possibilidade de fechar 2025 com recorde de absorção, São Paulo reafirma seu papel como referência para o mercado corporativo latino-americano. A cidade mostra capacidade de absorver tanto novas áreas quanto novas formas de ocupação. O desafio está em equilibrar crescimento e custo, garantindo qualidade e adaptabilidade às novas formas de trabalho.

O movimento atual sinaliza uma inflexão mais ampla. O escritório deixa de ser apenas endereço e passa a ser símbolo de cultura organizacional. O ciclo que se desenha é de transformação duradoura, no qual a ocupação física traduz a estratégia e o propósito das empresas. O espaço volta a ser ativo estratégico, e não apenas custo operacional.


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