Brasil em Código 2025 promovido pelo GS1 Brasil

Inovação e transparência moldando os negócios do futuro

Por Léa Lobo

Brasil em Código 2025 promovido pelo GS1 Brasil

Foto: Divulgação


No dia 7 de agosto de 2025, o Espaço Arca, foi palco do Brasil em Código 2025, promovido pela GS1 Brasil. Com o tema “Inovando com Transparência”, o encontro reuniu mais de 2 mil participantes e se consolidou como um ambiente de conexão, troca de ideias e inspiração para líderes e gestores que buscam soluções inovadoras e éticas para seus negócios.

O evento ofereceu mais de 15 horas de conteúdo e cerca de 30 palestrantes de diferentes setores, com um ponto em comum: mostrar como a clareza nas informações e a confiança mútua são pilares para a competitividade e a sustentabilidade empresarial. Em um mundo onde consumidores e investidores exigem mais transparência, o Brasil em Código reforçou que essa é a chave para construir relações sólidas e resultados duradouros.

Palestras que inspiraram e provocaram

Entre os destaques da programação, o maestro João Carlos Martins emocionou ao falar sobre superação e liderança, enquanto Léo Farah (HUMUS) trouxe relatos impactantes de sua experiência na gestão de crises em Brumadinho e Mariana. Já Olga Pontes (IBDEE) mergulhou no papel do compliance e da ética corporativa como fundamentos para negócios saudáveis.

No campo da economia, Felipe Rodrigo Oliveira (MAG Investimentos) apresentou cenários macroeconômicos e suas implicações para a gestão empresarial. A futurista Jaqueline Weigel provocou reflexões sobre como antecipar tendências e tomar decisões estratégicas em um ambiente de mudanças aceleradas. Outros nomes como Alexandre Pellaes, Alex Julian e Marcel Nobre completaram o mosaico de conteúdos que conectaram inovação, tecnologia, gestão de pessoas e propósito.

Destacamos aqui a palestra de Alexandre Pellaes, professor, pesquisador e LinkedIn Top Voice em Futuro do Trabalho, que convidou o público a repensar radicalmente o que entendemos por “trabalho”. Para Pellaes, trabalho e emprego não são sinônimos. Emprego é a relação formal, regida por hierarquias e troca financeira; já trabalho é ação intencional, expressão de identidade e contribuição para transformar o mundo. “O que você faz do jeito que você faz é único. Qualquer um pode ocupar seu cargo, mas o seu trabalho é intransferível”, provocou.

O palestrante lembrou que, historicamente, a conversa sobre trabalho foi limitada ao viés da carreira e da remuneração. Desde a infância, respondemos “o que queremos ser quando crescer” com títulos profissionais, e raramente paramos para pensar no significado humano do ato de trabalhar. “A vida não cabe no trabalho que é emprego. Ela cabe no trabalho que é ação intencional, que coloca mais de você no mundo”, disse.

Três grandes mudanças no mundo do trabalho

Pellaes mapeou transformações simultâneas que estão redefinindo o cenário profissional:

  1. Mudança no significado do trabalho – de sustento financeiro para propósito, qualidade de vida e bem-estar.
  2. Reconfiguração da liderança – de status e controle para influência genuína e relações de desenvolvimento.
  3. Evolução das organizações – de estruturas rígidas para modelos mais fluidos, colaborativos e descentralizados.

Essa transição, segundo ele, exige autonomia com responsabilidade, aprendizado intencional e flexibilidade para atualizar comportamentos sem perder os valores que sustentam a identidade profissional.

O risco do piloto automático

Com humor e franqueza, Pellaes criticou a cultura do “piloto automático” no ambiente corporativo: reuniões desnecessárias, processos repetitivos e contratos psicológicos não ditos, que corroem a produtividade e a motivação. Para ele, é preciso questionar a rotina, alinhar expectativas e eliminar o desperdício de tempo. “Autonomia não é ausência de chefe, é ter iniciativa e responsabilidade para agir quando o espaço está aberto”, reforçou.

Por que importa para o Facility Management

No contexto de Facility, Property & Workplace Management, a fala de Pellaes ecoa diretamente. Operações eficientes não dependem apenas de tecnologia ou processos, mas de equipes engajadas, autônomas e conectadas ao propósito do trabalho. Em um setor que lida com múltiplas áreas, de manutenção e limpeza à experiência do usuário e ESG, cultivar significado no trabalho pode ser o diferencial para elevar a performance e reduzir turnover.

Ao encerrar, Pellaes deixou uma analogia marcante: “Todos nós somos zebras com código de barras, mas precisamos nos atualizar para o QR Code”. Em outras palavras, é hora de reprogramar a mentalidade para um trabalho mais consciente, conectado e intencional, não apenas reagir às demandas, mas atuar para moldar o futuro.

Por fim, o Brasil em Código 2025 mostrou que inovação e transparência não são conceitos isolados, mas engrenagens que se complementam. Em um mercado onde a confiança é moeda forte, investir em processos claros e comunicação aberta pode ser o diferencial competitivo que define o futuro das empresas, e também do setor de FM.


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