Construção sustentável avança no Brasil, mas falta preparo, diz estudo

Pesquisa global mostra que, apesar de reconhecerem a importância da construção sustentável, profissionais brasileiros ainda enfrentam barreiras para transformar discurso em ação

Por Redação

Sustentabilidade em obras: Brasil é destaque em consciência, mas falha na prática

Apenas 9% dos profissionais do setor se sentem preparados para aplicar práticas sustentáveis na construção civil, segundo o Barômetro 2025. Foto: Canva.com/doidam10


A construção sustentável é, hoje, uma prioridade para 79% dos profissionais do setor no Brasil — e o tema também é bem recebido pela sociedade, com 76% da população considerando-o essencial. Apesar disso, só 9% dos especialistas se sentem devidamente preparados para aplicar conceitos sustentáveis na prática. Os dados fazem parte da terceira edição do Barômetro da Construção Sustentável, estudo global conduzido pela Saint-Gobain em parceria com a Occurrence-Ifop.

O levantamento ouviu mais de 4 mil stakeholders da área da construção (incluindo engenheiros, arquitetos, representantes públicos e estudantes) e 27 mil cidadãos em 27 países. No Brasil, o contraste entre a alta adesão teórica e a baixa aplicação prática chama atenção.

“O estudo nos mostra que é hora de transformar conhecimento em ação. Para isso, precisamos melhorar o acesso à informação e investir na capacitação técnica de quem atua na linha de frente das obras”, afirma Javier Gimeno, Vice-Presidente Sênior e CEO Latam da Saint-Gobain.


O desafio da capacitação

O Brasil foi o país com o menor índice de stakeholders que se dizem preparados para lidar com construção sustentável: 9%, contra uma média global de 28%. Entre os cidadãos, o conhecimento sobre o tema é superior à média — 50% dizem entender o conceito, enquanto a média mundial é de 38%.

Essa disparidade escancara uma barreira recorrente: o desafio de transformar consciência em prática. O estudo aponta que a maioria dos profissionais ainda associa construção sustentável ao uso de materiais ecológicos (42%), enquanto aspectos como saúde, bem-estar e desempenho dos edifícios continuam em segundo plano.

Para acelerar a adoção de práticas sustentáveis, os entrevistados brasileiros indicam como prioridades a transparência sobre o desempenho ambiental das construções (37%) e o aumento da conscientização pública (35%). Já a população também destaca o custo competitivo dos materiais como fator-chave para a viabilidade da sustentabilidade.


Quem deve liderar a mudança?

Globalmente, arquitetos e engenheiros são vistos como os principais agentes de transformação. No Brasil, a expectativa recai sobre as empresas privadas do setor da construção, apontadas por 53% dos profissionais como as mais legitimadas para liderar essa transição.

“As vantagens da construção sustentável em conforto, saúde e performance ainda são subestimadas. É necessário ampliar a abordagem e adaptá-la às realidades locais”, avalia Benoit Bazin, Chairman e CEO global da Saint-Gobain.


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