Desafios e estratégias de manutenção na Leroy Merlin

Insights apresentados por Stefano Bassanello no SMACNA Day.

Por Léa Lobo

DESAFIOS E ESTRATÉGIAS DE MANUTENÇÃO NA LEROY MERLIN

Foto: Divulgação

No dia 05 de setembro, a SMACNA Brasil organizou o SMACNA Day em São Paulo, evento dedicado à discussão das melhores práticas em climatização para edificações. Uma das palestras foi a de Stefano Bassanello, Gerente de Manutenção da Leroy Merlin, que abordou os desafios de centralizar e otimizar a manutenção das lojas da rede no Brasil. Bassanello destacou como a empresa tem lidado com questões relacionadas à eficiência operacional, desempenho de equipamentos e a implementação de novas tecnologias para garantir o conforto térmico de seus clientes.

Bassanello iniciou sua apresentação explicando a estrutura da Leroy Merlin no Brasil, com 45 lojas distribuídas em 14 estados até o final de 2023. Ele relatou que, antes de 2021, cada loja cuidava de sua própria manutenção, o que gerava inconsistências na qualidade dos serviços e falta de uniformidade nos processos. “A manutenção era descentralizada, o que significava que cada gerente de loja tinha autonomia para aprovar e gerenciar o que era feito, mesmo sem ter o conhecimento técnico necessário”, explicou.

A partir de 2021, a Leroy Merlin centralizou sua manutenção, criando um sistema que hoje é gerido por uma equipe especializada, com técnicos e analistas dedicados em cinco regionais no Brasil. "Agora, todos os processos de manutenção são controlados centralmente, o que nos permite gerenciar custos, garantir a qualidade do serviço e assegurar a conformidade técnica", disse Bassanello.

Ele apresentou os sete pilares que guiam a manutenção da rede, com destaque para a segurança no trabalho, a gestão da performance operacional e a confiabilidade das instalações. Ele enfatizou a importância de garantir que as lojas estejam sempre operando com eficiência, especialmente em relação ao ar-condicionado. "Se o ar-condicionado não está funcionando em um dia quente, isso afeta diretamente a experiência do cliente e as vendas", afirmou.

Ele também mencionou a gestão de prestadores de serviços, crucial para garantir que todas as lojas sejam atendidas conforme os padrões estabelecidos. "Temos várias empresas parceiras que cuidam da manutenção, e monitoramos a performance de cada uma delas, desde o cumprimento de cronogramas até o uso de EPIs", destacou.

A apresentação de Bassanello também detalhou como a Leroy Merlin tem adotado tecnologias avançadas para otimizar a manutenção. Um exemplo é o uso de um software, que centraliza o controle de manutenções preventivas e corretivas, permitindo que a equipe monitore a execução dos trabalhos em tempo real. “Em 2023, tivemos cerca de 73 mil chamados preventivos e 20 mil corretivos, e com a solução conseguimos rastrear e avaliar a performance de cada atendimento”, afirmou.

Além disso, Bassanello destacou um projeto piloto de eficiência energética em parceria com a Diel. Sensores de IoT foram instalados em algumas lojas para monitorar o desempenho dos sistemas de ar-condicionado em tempo real. "Descobrimos que, em 2023, apenas 11 dos 34 ciclos de refrigeração do sistema  de ar-condicionado em uma loja estavam funcionando corretamente, embora o conforto térmico fosse mantido. Isso nos permitiu atuar antes que os sistemas falhassem completamente", explicou. Desde o início do projeto, a Leroy Merlin já reduziu em 14% o consumo de energia dos sistemas de ar-condicionado nas lojas onde o piloto foi implementado.

Outro ponto importante discutido pelo palestrante foi a implementação de um plano de substituição escalonada de equipamentos, focado na vida útil e no desgaste real dos sistemas de ar-condicionado. "Não trocamos os equipamentos apenas porque sua vida útil expirou. Fazemos uma análise detalhada de cada máquina para determinar quando é realmente necessário substituí-la", explicou.

Além disso, a Leroy Merlin realizou novos estudos de carga térmica em várias de suas lojas, o que revelou que muitos sistemas de ar-condicionado estavam superdimensionados. Isso levou à instalação de equipamentos mais dedicados nas novas lojas, o que ajudou a reduzir os custos operacionais e o consumo de energia. "Com o avanço das lâmpadas de LED, as lojas não geram mais tanto calor, o que nos permite otimizar a climatização e usar menos equipamentos", exemplificou Bassanello.

Segundo ele, a Leroy Merlin também está investindo na capacitação de sua equipe de manutenção. Bassanello mencionou o programa "Técnico do Futuro", que visa transformar a postura dos técnicos da empresa, incentivando uma abordagem proativa. "Queremos que nossos técnicos sejam mais do que pessoas que reagem a problemas. Eles devem antecipar falhas e garantir que tudo esteja funcionando perfeitamente", ressaltou.

Por fim, ele mencionou que a empresa está trabalhando em um grande projeto de excelência operacional em parceria com a equipe de melhoria contínua da Leroy Merlin. "Estamos focados em processos mais eficientes, redução de custos e melhoria do desempenho das lojas. Queremos que a manutenção seja uma área estratégica para a empresa, contribuindo diretamente para a satisfação dos nossos clientes e a sustentabilidade do nosso negócio", concluiu.



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