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Mortes Evitáveis e Prevenção de Suicídio

A necessidade de proteção da vida

Por Aline da Silva Freitas (*)

A Agenda 2030, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU), apresenta um conjunto de metas que pretendem o Desenvolvimento Sustentável de todas as pessoas e países do mundo, por exemplo, promovendo saúde e bem-estar. Entre diversos os itens específicos, costuma chamar muita atenção a presença da ideia de atuar para combater às mortes evitáveis.

Quando você leu isso não pareceu estranho? Penso nas muitas vidas que tiveram seu término antecipado por alguma circunstância que seria possível de ser impedida. Reconhecer isso é muito importante. A ONU menciona que acidentes de trânsito, por exemplo, causam esse tipo de morte. Porém, imediatamente a expressão é uma oportunidade de abordar a prevenção de Suicídios.

Toda vida merece proteção, reconhecimento e valorização, sendo muito desafiador e doloroso saber que de um lado o número de pessoas que tiram suas próprias vidas está em crescimento e que, de outro lado, a maioria dos casos seria evitável. É necessário dialogar sobre isso e buscar, além das estatísticas, como lidar com isso.

A sociedade deve cada vez mais se sensibilizar acerca de temas como o Suicídio, bem como questões de saúde integral das pessoas, o que envolve o sofrimento de muitos que podem neste momento estar diante de reflexões sobre o ato extremo de suprimir a própria vida.

Toda vida é importante e a morte traz em si o luto, só que toda morte evitável, além do luto, gera tantas perguntas sobre o que poderia ter sido feito de diferente para que aquele resultado não acontecesse. Sabe-se que nem todos terão os recursos técnicos de um profissional habilitado, especialista na área de suicídios, para reconhecer situações de risco e fornecer as respostas mais assertivas sobre o tema. Porém, há muito a ser feito.

Enquanto seres humanos, que possamos estar presentes nas conversas que estabelecemos e na percepção do outro com quem interagimos de alguma forma. Isso certamente ajudará e pode ser um dos caminhos de prevenção, afinal estar aberto ao outro é acolher e fortalecer a vida, perceber emoções e sentimentos, sem julgamentos.

Lembremos que cada pessoa é um universo de potencialidades, forças e capacidades em desenvolvimento ou a serem desenvolvidas, para si e para auxiliar na construção de uma sociedade melhor. Socialmente, o anseio comum natural é de que todos possam se desenvolver sustentavelmente, experimentando vidas com saúde e bem-estar.

Se uma vida é interrompida abruptamente quando tinha chances de seguir, se uma morte é evitável, há uma questão social a ser trabalhada. Fazer com que o tema da Prevenção do Suicídio seja divulgado auxiliará nesse processo. Assim como afirmar que, por mais complexo e desafiador que seja o momento, sempre há outra forma de se viver e de seguir vivendo, ou seja: se houver, e sabemos que há, alguém em sofrimento, pensando em Suicídio, a escuta ativa e o relembrar de que há outros caminhos podem ser importantes.

A vida em si é finita e ponto. Só que seu "ponto final", espera-se, seja distante, isto é: que todas as pessoas possam encontrar na experiência compartilhada que é viver todos os recursos necessários para bem viver, inclusive com saúde e bem-estar.

A vida há de ser vivida e há tantas formas de se viver, como já afirmado e merece ser repetido. Talvez por isso a ONU convide para refletir, também em sua Agenda, sobre "estilos de vida", sugerindo que, seja qual for seu estilo, que considere ser sustentável. O que significa? É aquele que justamente permita que cada pessoa viva mais e melhor.

Setembro é mês de campanha focada em Prevenção de Suicídios, campanha que segue o ano todo, pois a luta pela vida não pode parar. Por isso, entre tantas sutis ideias acima apontadas e outras tantas iniciativas, merece destaque o Centro de Valorização da Vida, que faz atendimentos profissionais acolhedores, gratuitos e sigilosos, para apoio emocional e prevenção de suicídio, 24 horas, basta ligar para 188. Informações assim podem salvar vidas.


​(*) Aline da Silva Freitas, doutoranda em Direitos Humanos na Universidade de São Paulo, mestre em Direito Político e Econômico, socorrista em Saúde Mental e Consultora em Felicidade e Bem-estar e professora de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Foto: Divulgação.


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