Facility Management, a mãezona que também precisa de cuidados!

Focada em gerir atividades-meio para que seus clientes se importem apenas com a atividade-fim, a área de facilities também precisa zelar pelas suas atividades de suporte, entre elas, a comunicação. Falhas nessa área são responsáveis por 76% dos fracassos em projetos

Por Paula Caires*

Você trabalha para assegurar condições funcionais e economicamente sustentáveis para que as atividades das organizações sejam realizadas de modo eficiente, garantindo, paralelamente, o bem-estar das pessoas. E, muitas vezes, todo o esforço sequer é percebido. Basta um problema, no entanto, para que o facility management seja lembrado e, o pior, para que seu impacto seja sentido. É como uma supermãe e profissional do lar, que cuida de tudo e de todos, sem o devido reconhecimento, mas basta a sua ausência para que a casa pareça um caos. Enquanto isso, os recursos que poderiam te beneficiar são sempre deixados para depois, por falta de tempo, conhecimento ou consciência acerca de sua importância.

A comunicação é um desses itens que acabam sendo ignorados ou subutilizados, principalmente, porque é algo que fazemos quase que naturalmente, diariamente. Por estar tão presente no nosso dia a dia, sua importância, muitas vezes, passa despercebida e os usos profissional e estratégico negligenciados. Prova disso, são os dados levantados pelo Project Management Institute Brasil (PMI) junto a 300 empresas de grande porte: 76% dos fracassos em projetos são oriundos de falhas na comunicação, colocando em risco os investimentos feitos, entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões.

E esse é apenas um dos pontos em que uma comunicação estratégica e profissional pode fazer toda a diferença para os profissionais da área. Afinal, como diria minha avó: “Não adianta botar o ovo, tem que cacarejar!”

Além de promover as funções, ações e benefícios trazidos pelas atividades de facilities management, a comunicação levada a sério pode ser uma grande aliada para o profissional propor (e aprovar!) um novo projeto para a diretoria, para fazer com que esse projeto tenha êxito, mesmo quando envolve públicos e setores diversos, para conquistar adeptos para tal projeto ou causa, para se inter-relacionar com os demais setores da empresa e áreas do próprio setor, já que se trata de uma atuação multi e interdisciplinar e até mesmo para se posicionar no mercado como autoridade em um determinado tema.

No entanto, comunicar por comunicar, não basta. O processo de comunicação só se finda no outro. É preciso ter bem claro e definido o objetivo da comunicação, o cenário no qual ela será realizada e, principalmente, o público ao qual ela será dirigida. Portanto, esqueça o lema “Trate os outros como você gostaria de ser tratado”. Quando o assunto é comunicação empresarial você precisa tratar as pessoas como ELAS gostariam de ser tratadas.

O alinhamento do discurso ao público-alvo envolve um processo amplo que engloba a forma e o conteúdo da mensagem, bem como os meios, variando, inclusive, a forma de recepção e interação de um mesmo público em um ou outro canal/momento. A mesma pessoa que gosta de receber ofertas de cursos on-line pelo e-mail, por exemplo, pode não gostar de recebê-los pelo celular, assim como dados interessantes para a diretoria podem não ter a mesma relevância para os gerentes. Da mesma forma, como no amplo universo que compõe o setor, cada área tende a ter seus próprios jargões e termos técnicos, é necessário “traduzir” o que parece óbvio pelo conhecimento e uso sistemático.

O facility management ainda tem de lidar com dois processos completamente diferentes de relacionamento – o Business to Business (B2B) e o Business to Consumer (B2C), tanto no ambiente interno, quanto no externo.

E como o processo só se finda no outro, é indispensável estar apto a receber esses feedbacks de maneira sistemática, pois por meio de uma boa estrutura, eles retroalimentam o processo, lapidando-o, como um pequeno diamante bruto – o diamante do relacionamento.

Como se vê, é um trabalho que demanda conhecimentos específicos, técnica, tempo, mão de obra... Recursos nem sempre disponíveis, já que o foco é a atividade-fim. Mas o mesmo processo em que o FM cuida das atividades-meio para que o cliente possa investir seus recursos em sua atividade principal, serve para que o próprio FM possa se dedicar a sua atividade-fim, sem abrir mão da importância da comunicação para seus negócios.

*Paula Caires é jornalista, pós-graduada em comunicação empresarial e relações públicas, com mais de dez anos de experiência em assessoria de comunicação e produção de conteúdo, inclusive, como redatora da Revista Infra. Está à frente da Caires Comunicação e, atualmente, também atua no marketing digital. Por meio de parceiros estratégicos, oferece um olhar 360° da comunicação, com produtos sob medida. [email protected]

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